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Pop romântico com uma pitada de soul. Se for para definir um estilo, é a assim que Guto C define seu trabalho. O intérprete lança o primeiro CD solo, Infinito Paraíso, pela Zaid Records, com produção caprichada do maestro e arranjador Lincoln Olivetti.
O repertório, formado por 10 canções, traz de volta ”Pensando Nela” e “Amor Informal”, de Don Betto, ”Primavera”, de Cassiano e S. Rochael e ”My Life”, de Michael Soullivan, além de composições inéditas de Antonio Bittencourt (”Querer” e “Baby”) e de Lincoln Olivetti (“Infinito Paraíso”). O trabalho de Guto C chega ao público com uma leitura moderna, sem a pretensão de inventar ou inovar, mas com a intenção de ocupar um vácuo deixado no mercado dentro do estilo pop romântico. “O mercado está carente de músicas sem os rótulos da moda”, argumenta o artista.
Deliciosamente, ele desliza seu belo timbre em lindas melodias, amparado por arranjos sob medida para sua voz e seu estilo “black romântico”. Mesmo nas regravações, onde Lincoln Olivetti procurou manter algumas referências dos arranjos originais, percebe-se a colocação perfeita da interpretação de Guto dentro de cada obra como se uma nova música fosse. O roteiro é mesmo saboroso. Com um tempero de variados ritmos, recheados de influências modernas e arrojadas, o disco parece nos levar de volta a um passado próximo, embalado pela soul music romântica.
Guto C e Lincoln Olivetti se conheceram por meio da amizade comum com o percussionista Ariovaldo Contesini, fundador do Azimuth, parceiro de Guto na Banda Fresta por quase dois anos, até o seu falecimento, em 1993. Guto se afastou, então, da música por nove anos, mas decidiu retomar a carreira e convidou Olivetti para produzir o trabalho, que o levaria de volta aos palcos. “O desenvolvimento do repertório e a produção do disco foi uma parceria nossa. Ele teve toda liberdade para criar os arranjos, mas tudo que sugeriu era a minha cara, um casamento perfeito, uma cumplicidade musical total”, comenta Guto, que completa: “O Lincoln me ensinou a apreciar a música, a ouvir música, a gostar do simples e do belo”.
Natural de Jundiaí, São Paulo, Guto C cresceu ouvindo música popular no rádio, mas confessa que também adora ouvir jazz. Suas maiores referências musicais brasileiras são Tim Maia e Elis Regina, que ele considera intérpretes perfeitos. Iniciou sua carreira estudando canto com Nancy Miranda e com sua voz diferenciada, participou e ganhou festivais de músicas pelo interior de São Paulo. Sua trajetória é marcada pelo sucesso e reconhecimento do público, que o acompanha sempre nos shows que apresenta.
Lincoln Olivetti ficou conhecido como o “feiticeiro dos estúdios” e “mago do Pop”. Além de compositor, foi produtor e arranjador de artistas como Roberto Carlos, Tim Maia, Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge BemJor, Maria Betânia e outros.
As canções
Para dar uma pequena amostra do que vem pela frente, Guto C abre o disco com um arranjo moderno para “Pensando Nela”, de Don Betto e Reina. Numa viagem do Rio de Janeiro para São Paulo, ouviu a música no rádio do carro e não mais a tirou da cabeça. “Foi como uma velha paixão que volta com força”, conta. Era o sinal de que entraria no CD. Na seqüência, vem com muito balanço e alto astral a canção “Estou Livre” (Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Tony Bizzarro), garimpada em uma coletânea dos anos 70 e 80, que a cantora Mara Nascimento lhe deu de presente.
A inédita “Infinito Paraíso” (L. Olivetti) Guto C descobriu, quando Olivetti, lhe mostrou algumas músicas. Esta já era escolhida, desde então. O roteiro segue com a regravação de “Amor Informal” (Don Betto e Reina), cuja melodia é simplesmente bela, e com a também inédita “Querer” (Antônio Bittencourt).
“Babilônia Rock”, composição de muitos parceiros (Cláudia Olivetti, L. Olivetti, Guto graça Mello, Naila graça Mello, Robson Jorge e Pierri Onassis), foi trilha do filme Rio Babilônia, de Neville de Almeida, gravada por Olivetti e regravada por Fernanda Abreu. “Sempre tive essa música na cabeça”, comenta Guto, que a sugeriu ao produtor. Sugestão bem aceita. A canção “Baby” (Antônio Bittencourt e Vanderlei Guarino) nasceu em uma brincadeira de fazer música numa reunião de amigos e tornou-se uma bela canção, que o artista não quis deixar de fora do álbum.
A próxima faixa, “Mariá” (L. Olivetti, R. Jorge e Ronaldo Barcelos).O artista toma para sua voz a inesquecível “Primavera (vai Chuva)” (Cassiano e Sílvio Rochael), sucesso conhecido na voz de Tim Maia. A faixa mantém a referência do grande intérprete, mas ganhou um arranjo mais dançante, uma nova vertente. Fechando o repertório, a romântica “My Life” (Michael Sullivan e Richard Lee Mark) vem com arranjo mais black music, dando o recado de Guto C com fidelidade à proposta de fazer um disco onde a música é pop, é romântica e o tempero é o soul.
Contatos:0xx11 3379 1988 / 8426 3117.
Guto.c@uol.com.br
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